Mais de 20 mil católicos participaram da procissão de Corpus Christi, realizada na tarde de ontem em Campo Grande (Foto: Saul Schramm)

Mais de 20 mil católicos participaram da procissão de Corpus Christi, realizada na tarde de ontem em Campo Grande (Foto: Saul Schramm)

Cerca de 20 mil católicos, segundo a Polícia Militar, peregrinaram por mais de 1 km na tarde ontem (15), durante a procissão que celebra Corpus Christi. O evento teve início com uma missa realizada em frente da Paróquia Dom Bosco, no cruzamento da Avenida Mato Grosso com a Rua 14 de Julho –região central de Campo Grande. Pessoas de todas as idades prestigiaram a festa da Igreja Católica, que tem como principal foco o Santíssimo Sacramento.

Além dos milhares de fiéis, representantes das 47 paróquias, incluindo mais de 150 coroinhas, estiveram na celebração. As comemorações começaram de madrugada, quando voluntários iniciaram os trabalhos de confecção dos tradicionais tapetes. Mais tarde, no mesmo dia, houve a visita do Santíssimo Sacramento em locais onde, segundo o arcebispo de Campo Grande, dom Dimas Lara Barbosa, “o sofrimento é maior”.

“Hoje é um dia especial, porque é o dia que a gente faz a manifestação pública na presença real de Jesus na Eucaristia. É também um dia que a CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] convoca todos os católicos a rezar pelo Brasil. Ver essa garotada e pessoas de todas as idades é muito bom. Eu particularmente estive na Santa Casa e foi muito bom”, conta.

O padre Agenor Martins Silva, que é coordenador da Pastoral da Arquidiocese e está há nove anos atuando em Campo Grande, falou sobre a importância da celebração de Corpus Christi.

“Na Igreja Católica temos grandes movimentos, o natalino, o pascal, e esse [Corpus Christi] é o terceiro grande movimento; se no Natal Jesus nasce e na Páscoa ele ressuscita, aqui a gente tem a manifestação da presença real de Jesus na Eucaristia.”

Aos 74 anos, campo-grandense católica participa pela primeira vez de procissão

De volta à procissão pela sexta vez consecutiva, Patricia Creto Cavalheiro, que é frequentadora da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, fala da importância da religião para a família.

“Estávamos aqui para fazer o tapete de manhã. É maravilhoso participar, e depois que viemos a primeira vez, a gente não consegue mais parar. Trazemos as crianças e cada vez mais a graça acontece. A gente quer que a família inteira venha. Eu sempre trago minha filha e este ano ela trouxe a priminha e minha mãe”, conta.

Maria Batista da Costa Freitas, 74, sempre morou em Campo Grande, mas este ano é a primeira vez que a fiel participa da procissão na Capital. “Sempre na época da procissão eu estava viajando para estar com minha mãe que estava doente em Goiânia [GO]. Sou da Legião de Maria e estou aqui firme e forte para a caminhada. Estou muito animada”, disse a idosa.

A celebração da Igreja Católica em Campo Grande foi integralmente transmitida ao vivo pela TV Século 21 e pelo Facebook da arquidiocese, e ainda arrecadou grande quantidade de alimentos e produtos de limpeza que serão doados à Afrangel (Associação Franciscanas Angelinas) – Lar das Crianças Vivendo e Convivendo com HIV/Aids e Alpa (Associação Lar do Pequeno Assis).


Montagem do tapete reúne paróquias da Capital

Centenas de fiéis católicos participaram desde cedo da tradicional montagem e confecção do tapete em comemoração ao Dia de Corpus Christi ontem (15). Os desenhos foram criados a partir de serragem colorida, areia, papéis, tampinhas de garrafa, sementes e se estenderam pela Rua 14 de Julho, entre as avenidas Mato Grosso e Fernando Correa da Costa.

Segundo o padre Reginaldo Nascimento Padilha, da Paróquia Nossa Senhora da Guia, todas as igrejas da Capital se reuniram nesse grande evento religioso. “A festa é uma solenidade em que durante o ano, liturgicamente, é o único momento onde Jesus sai da igreja e toma as ruas da cidade. Aqui em Campo Grande fazemos a festa de forma comunitária, em que todas as paróquias se unem”, contou.

Jovens da Paróquia Nossa Senhora da Guia chegaram à 14 de Julho por volta das 5h30 para preparar os desenhos. A estudante Thayane Soares Rocha, 20, faz parte do grupo de jovens Segue-me e contou que participa da montagem do tapete há alguns anos.

“Nosso grupo faz com que os jovens tenham um momento com Cristo para que conheçam um pouco mais do nosso Deus. Este ano estamos montando o emblema da nossa pastoral com serragem, cal e areia, e eu acho muito bonito. Gosto de participar, desde que iniciou ajudo a montar o tapete”, comentou.

Para a recreadora Maria de Fátima, 50, que ajudou a confeccionar a parte do tapete da Paróquia São Fransciso de Sales pelo terceiro ano, a ação a faz se sentir realizada. “Montamos a imagem de São Francisco com serragem e pedras coloridas. Eu gosto muito, sou católica, me sinto realizada por participar e fazer parte desse momento. É muito bom”, ressaltou. (Nilce Lemos)


Santíssimo abençoa fiéis em locais de ‘sofrimento’

Dom Dimas Lara levou Santíssimo para abençoar pacientes do hospital (Foto: Marcelo Victor)

Dom Dimas Lara levou Santíssimo para abençoar pacientes do hospital (Foto: Marcelo Victor)

O arcebispo de Campo Grande, dom Dimas Lara Barbosa, visitou a Santa Casa na manhã de ontem (15) para levar o Santíssimo Sacramento e abençoar pacientes, familiares e funcionários do hospital. A ação fez parte da comemoração de Corpus Christi. Outros locais onde há “sofrimento” também foram visitados.

Acompanhado pelo padre Cleber Brugnago Rosa, músicos e componentes da arquidiocese, o arcebispo levou o ostensório (objeto que expõe o Santíssimo e que representa o corpo e o sangue de Jesus) para abençoar pacientes, familiares e funcionários da Santa Casa. A ação emocionou quem estava no local.

“A solenidade de Corpus Christi tem a finalidade de levar os fiéis a uma consciência maior da presença real de Jesus na Eucaristia e também de ser uma manifestação pública da fé, porque o povo sai às ruas com o Santíssimo, enfeita e celebra nas ruas, mostrando a sua fé”, contou dom Dimas.

Conforme o arcebispo, seguindo um costume regional, o religioso leva a imagem do Santíssimo em visita a lugares de sofrimento, como hospitais e presídios, onde existe um simbolismo maior da dignidade do humano que é preciso preservar.

“É momento de muita alegria, tem gente que ri e quem chora, acho que é quando as pessoas vão tomando consciência de que é Deus mesmo que está no meio deles, de nós”, pontuou o arcebispo.

Para Esacheu Nascimento, diretor-presidente da Santa Casa, a assistência espiritual é muito importante para os pacientes. “Isso traz não somente um conforto aos familiares, pacientes e funcionários, mas também um direcionamento do trabalho humano que a gente quer que seja realizado junto com o tratamento clínico. Para nós é uma alegria recebê-los aqui e vamos acompanhar”, contou.

Natália de Brito, 24, que estava no hospital acompanhando o filho internado há seis dias com otite, ficou feliz em receber a bênção. “É prazeroso, diferente, é gratificante, sentimos uma paz imensa.”

Silvana Maria Monteiro da Silveira, 58, que é ministra da Eucaristia da arquidiocese e está acostumada com as visitas nos hospitais, ficou emocionada com o que presenciou na Santa Casa nesse feriado.

“É como ver Jesus vivo passeando no meio do povo. Aquele que crê que Jesus está vivo na hóstia sagrada é motivo realmente de emoção”, disse.
A aposentada Sandra Heloisa de Sousa, 59, acompanha o marido no CTI (Centro de Terapia Intensiva), e quando viu dom Dimas chegar ficou bastante emocionada. “Já recebi muitas graças na igreja e sair e ver ele aqui é como ver Jesus vindo ao meu encontro.” (NL)