Henrique e Elizabete  se conheceram no Par Perfeito e se casaram. (Foto: Divulgação/Acervo pessoal)

Henrique e Elizabete se conheceram no Par Perfeito e se casaram. (Foto: Divulgação/Acervo pessoal)

Cinco meses se passaram entre a primeira conversa na internet e a decisão de morar juntos. A bióloga Elizabete Burkhardt, 51, e o professor de literatura Henrique Santos, 52, após uma longa conversa, resolveram dividir o mesmo apartamento. Ele juntou os trapos e se mudou para a casa da bióloga. Logo após, mesmo num curto período de relacionamento, surgiu o desejo de ambos formarem uma família juntos.

O que poderia ser só mais uma história de amor se torna mais incrível quando se descobre que eles se conheceram por meio de um site de relacionamento que prometia encontrar o par perfeito do usuário. E ainda mais em um período no qual esse tipo de relacionamento digital estava apenas começando e os computadores vinham se popularizando no país. “Não esperava que isso acontecesse, contava, no máximo, com um namoradinho”, revela Elizabete Burkhardt.

O primeiro encontro ocorreu no dia 27 de março de 2010. A conversa se desenrolou entre trivialidades e apresentações. Mesmo ao recém se conhecerem, no dia seguinte decidiram se ver pessoalmente na livraria de um shopping de Campo Grande. Para a bióloga, seria o local adequado para ter o primeiro contato com o professor de literatura, onde talvez ele poderia se sentir confortável. Após uma breve conversa no recinto, resolveram passear.

Em razão de um acidente, ele usava uma bengala para se apoiar. Para ela, uma muleta ideal que ele utilizou. Com a desculpa da necessidade de se apoiar para se locomover, Henrique agarrou a mão de Elizabete e saíram. “Eu fiquei sem reação. Como assim sair de mãos dadas? Vão achar que eu estou namorando, não sabia o que as pessoas pensariam”, explica a bióloga.

Após o encontro na livraria, ela teve de viajar a serviço. Nem por isso perderam o contato. Por três dias eles conversaram mesmo apesar da distância. Nesse período, ao colega de trabalho confidenciava que “esse cara já estava no papo”. E estava realmente. Não demorou muito para começarem a ir a festas de amigos e de família juntos. Para a bióloga, o desejo de acontecer o relacionamento foi o segredo. “Foi muita sorte, onde cada um fez sua parte para dar certo e era desejo mesmo de estar junto”, diz Elizabete Burkhardt.

Sete anos se passaram e do relacionamento nasceu Luiz, 3, adotado no fim de 2014. “É a cerejinha do bolo do nosso relacionamento”, fala.

Uma história para contar em série e uma prova de que nada é por acaso

Desde que trocou mensagens no Twitter, o casal Ana e Renato não se largou mais (Foto: Divulgação/Acervo pessoal)

Desde que trocou mensagens no Twitter, o casal Ana e Renato não se largou mais (Foto: Divulgação/Acervo pessoal)

Se para Elizabete e Henrique bastou um dia para se encontrarem, para a designer de software Ana Elisa Bacon, 29, e o gerente Renato Tanaka, 39, foram necessários 12 anos. Eles se conheceram em conversas de grupos no mIRC –sistema operacional antigo em que a principal funcionalidade era o chat. O início dos anos 2000 foi o período de maior sucesso entre os usuários da internet, em razão de poder conversar com qualquer pessoa do mundo tendo apenas o software.

Tanaka, aos 22 anos, era um dos operadores da sala de chat de Campo Grande. Ana Elisa, então com 12, era mais uma usuária dos cerca de 150 milhões cadastrados. Em razão da diferença de idade, era inimaginável existir qualquer coisa entre os dois. “Só sabia quem ele era, a gente nem conversava. Ele era o operador do chat e controlava quem bagunçava no chat. Era meio famosinho”, disse a designer.

Mas os anos se passaram, e outras redes de relacionamento foram sendo criadas e apresentadas ao público. Há cinco, então navegando pela internet, Ana Elisa se depara com o perfil de Tanaka no Twitter. No microblog começaram a conversar e trocar mensagens.

Em razão de uma doença da mãe, ela não estava saindo de casa. Comentou na internet que não conseguia encontrar o restante dos episódios da série a que estava assistindo. Alguns minutos depois, um motoqueiro tocou no seu apartamento para lhe entregar um pendrive com os tais episódios da série, uma surpresa de seu seguidor do Twitter que, anos depois, viria a se tornar seu marido. Mesmo incrédula com a situação, continuaram a trocar mensagens. Tanaka passou a visitá-la em casa desde então. Do começo da interação no Twitter ao início do namoro foram cinco meses. Com um ano de namoro já estavam morando juntos. “Eu avisei para ele que não podia namorar assim. E ele então disse: ‘Se você não pode sair por causa da sua mãe, então vou ir ficar perto de você’. Então veio morar comigo”, explica Ana Elisa.

Desde então os dois moram juntos. Há três anos saíram da casa da mãe da Ana Elisa e oficializaram a história de amor.