Agentes penitenciários anunciam greve, em todo o Brasil, no Dia das Mães (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Agentes penitenciários anunciam greve, em todo o Brasil, no Dia das Mães (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Sem a inclusão dos agentes penitenciários no relatório da reforma da Previdência como aposentadoria policial, que contempla profissionais que atuam em áreas de alta periculosidade e insalubridade, a classe planeja parar no próximo fim de semana do Dia das Mães.

Segundo o presidente do Sinsap, André Luiz Santiago, a paralisação nacional estava programada para ontem (4), mas foi cancelada após o Congresso Nacional incluir a categoria na reforma, no entanto, ao chegar a Brasília (DF), os agentes encontraram outra situação.

“Eles desrespeitaram a categoria por terem incluído e depois tirado os servidores no relatório da reforma. Nós estávamos lá para comemorar e nos deparamos com a situação contrária, todos ficaram revoltados e aconteceu o que todo mundo já sabe”, disse Santiago.

Na terça-feira, cerca de 500 agentes de todo o país ocuparam o Salão Negro do Ministério da Justiça, em Brasília, em protesto contra essa remoção da categoria do novo texto da Previdência.

Sindicato se reúne hoje para agendar mobilização e pretende volta a Brasília

A paralisação estava prevista para cobrar o Congresso Nacional sobre a aprovação da PEC (proposta de emenda constitucional) 308/2004, que prevê a criação da polícia penitenciária, e teria 48 horas de duração com a suspensão de visitas, atendimento jurídico e banho de sol.

“Nós queremos adesão nacional, mas, como havíamos suspendido, não dava tempo para mobilizarmos todo mundo em 24h de novo, então decidimos manter, mas tudo depende do acordo para pararmos ou não”, concluiu Santiago.

Hoje, o sindicato se reúne com a Fenaspen (Federação Sindical Nacional dos Servidores Penitenciários), para analisar os próximos passos da categoria. De antemão, os agentes preveem outra mobilização e movimentação em Brasília, ainda maior que a última, para cobrar o acordo negado. Além disso, os servidores pretendem parar no Dia das Mães, com a maior adesão possível.

Há dez anos, a maior rebelião já feita em Mato Grosso do Sul foi justamente no Dia das Mães. A facção dominante no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande tomou o presídio e matou cruelmente um detento, que teve todos os dentes arrancados em vida, foi esquartejado, carbonizado e decapitado. A barbárie atingiu também os presídios do interior e deixou marcas em todos que a presenciaram.