Obra começou em 1991 e sofre com o abandono e depedração; construção seria uma rodoviária, mas projeto foi alterado e se tornou Centro de Belas Artes (Foto: Marcelo Victor)

Obra começou em 1991 e sofre com o abandono e depedração; construção seria uma rodoviária, mas projeto foi alterado e se tornou Centro de Belas Artes (Foto: Marcelo Victor)

Um levantamento está sendo feito sobre perda e do que resta para a conclusão da primeira etapa das obras do Centro de Belas Artes, local que abrigaria a nova rodoviária de Campo Grande, no bairro Cabreúva -região central de Campo Grande. A prefeitura de Campo Grande pretende fazer readequação do projeto com intuito de finalizar aplicação do recurso do Ministério do Turismo para depois criar uma PPP (Parceria Público-Privada) que utilize o espaço como centro de convenções voltado para eventos.

A ideia de deixar a obra nas mãos da incentiva privada veio após inúmeros fracassos do poder público. Antes do projeto para o Centro de Belas Artes, o local abrigaria o terminal rodoviário, que começou a ser construído em 1991, ainda na gestão do governador Pedro Pedrossian. A obra jamais foi concluída. O projeto, passou por diversas alterações, até ser destinado a um espaço cultural.

O Belas Artes, criado em 2012, previa uma área para exposições de arte, apresentações de teatro, música e cinema. O projeto inicial teria investimento de R$ 28 milhões, deste valor R$ 8,7 milhões chegaram a ser investidos nesta primeira etapa. Depois que a construtora abandonou a obra, em 2014, o local passou a sofrer com abandono, se tornando abrigo de moradores de rua e de usuários de drogas.

Segundo a coordenadora da central de projetos da secretaria municipal de Governo, Catiana Sabadin Zamarrenho, o recurso federal é pouco e representa apenas 10% da obra.

O município pretende finalizar a primeira etapa do projeto, que inclui a construção de salas de música e de artesanato, mas não existe nenhum interesse de continuar o restante da obra.

“Já nem chamamos de um Centro de Belas Artes. Nosso pensamento é fazer uma parceria pública privada. Que alguma empresa assuma a finalização da obra fazendo um contrato de concessão. Que ele explore economicamente a área por um determinado período até ele reter o retorno do capital investido. E depois a prefeitura pega aquela área requalificada. Nós já estamos fazendo um estudo econômico e uma proposta de manifestação de interesse para saber que o mercado gostaria de fazer na área. Já fomos procurados por alguns grupos que teriam a vontade de fazer um centro de convenções ou até um shopping, mas ideia já foi descartada, pois o objetivo é ser local para eventos”, comentou a coordenadora.

Prefeito chegou a ir a Brasília para falar com o ministro da Cultura sobre a obra

De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação, Rudi Fiorese, o problema principal é a falta de recurso. “O projeto para terminar todo aquele prédio é algo em torno de R$ 30 milhões. O que estamos tentando visibilizar é a conclusão da primeira etapa do que já foi iniciado ainda gestão do ex-prefeito Nelsinho Trad. Para isso a gente estima que serão necessários R$ 4 milhões, que dará um objetivo para a área poder ser ocupada, pelo menos parcialmente, e que não fique totalmente abandonada”, planeja.

O prefeito Marquinhos Trad (PSD) chegou a ir em janeiro a Brasília (DF) para falar com o ministro da Cultura, Marx Beltrão. Na ocasião, o Governo Federal se comprometeu em ajudar a encontrar solução à obra do Centro de Belas Artes. Porém, agora o discurso é outro, e não há previsão nem para a verba para conclusão do projeto.

“Nem os R$ 4 milhões estamos conseguindo a liberação. Não depende da gente. Está tudo pronto o projeto, a gente bate na porta de ministro, na porta de assessor, bate na porta de consultor, a desculpa que estão em reunião com presidente, estão em reunião com a Casa Civil. Brasília parou com estes escândalos de corrupção”, culpou Marquinhos.

Enquanto isso, no local, só se encontram pichações, sujeira e vandalismo. Portas e janelas danificadas e salas que deveriam receber apresentações culturais abrigam moradores de rua e usuários de drogas diariamente, segundo vizinhos.
Além disso, a segurança do prédio não existe e em 2014 foi a última vez que um operário trabalhou na obra, após a desistência da empreiteira responsável.