O presidente da Santa Casa de Campo Grande, Esacheu Nascimento, esteve na Câmara dos Vereadores na manhã de ontem (4) para prestar contas em audiência pública sobre o uso dos recursos repassados pela prefeitura municipal. O pedido partiu do vereador André Salineiro (PSDB) junto com outros 22 vereadores, tendo em vista que o hospital pede aumento no repasse, porém a prefeitura alega não ter condições de pagar a mais. Apesar do detalhamento de uso dos recursos apresentados pelo centro médico, dados foram rebatidos por Enfermeiro Fritz (PSD), que apresentou uma planilha do Datasus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) e afirmou que há dívida da unidade para com os cofres públicos.

Segundo Salineiro, o intuito foi solicitar à Santa Casa esclarecimentos para obter informações sobre as contas. “Até então não estão chegando informações necessárias para sanar algumas denúncias que estamos recebendo. Há questões de contratações que precisam ficar muito transparentes e, quanto ao atendimento, quantos atendimentos à população de Campo Grande são feitos com esse repasse da prefeitura. Será que atendemos o interior também? Tudo isso aconteceu porque a Santa Casa exigiu do município um aumento do repasse. Se ela exige o aumento, precisamos saber o porquê.”

Durante sua apresentação, o presidente da Santa Casa, Esacheu Nascimento, explicou os números do hospital em 2016. Ao todo existem 666 leitos na unidade, sendo 552 do SUS (Sistema Único de Saúde) e 114 via convênios. Também foram apresentados dados referentes aos principais exames realizados em 2016.

“Foram 26.649 internações no ano, 26.631 altas, 90.207 atendimentos de urgência e emergência, 60.481 atendimentos em ambulatório, 34.233 cirurgias. Isso totaliza a taxa de ocupação de 80% do hospital durante o ano”, explicou.

‘Estamos suportando o aumento com os mesmos recursos’, diz presidente

Quanto às dívidas, no fim de 2016, conforme Esacheu, o montante chegou a R$ 123.155.963. O presidente detalhou que este valor é referente a: R$ 59.026.949 da CEF (Caixa Econômica Federal), tidos como herança de intervenção anterior, R$ 6.312.517 também da Caixa, R$ 16.029.926 de 13º salários devidos ao banco, R$ 15.104.00 no Santander, R$ 96.473.392 de dívidas financeiras e R$ 26.682.571 de fornecedores.

“A prefeitura tinha R$ 1,1 bilhão gastos em saúde, mas só repassou 22% para o hospital, ou seja, R$ 242 milhões em recursos, quando a Santa Casa realizou 62% dos atendimentos da Capital”, reclamou o presidente.

Ainda conforme Nascimento, não há aumento desde 2012. “Estamos suportando o aumento na demanda com os mesmos recursos”, comentou.
Os números apresentados pelo presidente da Santa Casa foram rebatidos por Fritz. “Meu posicionamento é em favor da Santa Casa, mas muito me preocupa a fonte de informação. Para mim, o problema da Santa Casa é a gestão”, comentou.

Entre os pontos que apresentam dados diferentes, está o percentual de atendimentos em Campo Grande. “Diferente dos 62% que a Santa Casa disse que atende da população de Campo Grande, segundo o Datasus, são apenas 3,21% de atendimentos efetivos”, revelou.

Fritz também rebateu a informação de Esacheu, que disse que a unidade não recebe aditivos há algum tempo. “Há um implemento de R$ 1.180.000 em 2015 e R$ 6.550.000 em 2016, adicionais que o município fez”, garante.

Além disso, o parlamentar revelou números referentes à produção hospitalar. “Em 2016, Campo Grande teve 65.114 em produção hospitalar e a Santa Casa 25.637. Na produção ambulatorial, Campo Grande atende 25.935.396 e a Santa Casa 809.721. Quando falo de recursos da Sesau [Secretaria Municipal de Saúde Pública] tem R$ 126.443.562,28 e a Santa Casa recebe mais R$ 70.903.160,24, mais de 50% do recurso, mas atende 3,21% da população. Então o hospital não é o problema, é a gestão”, ressaltou.

Fritz ainda mostrou uma auditoria do Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do SUS), realizada no período de 6 de fevereiro 2012 a 31 de março de 2017 na Santa Casa, em que o hospital deve devolver R$ 1.179.034,12 aos cofres públicos por precedimentos não realizados.