Manoel de Barros nasceu no Beco da Marinha, em Cuiabá, Estado de Mato Grosso, e morreu em 2014 em Campo Grande, aos 97 anos de idade (Foto: Saul Schramm)

Manoel de Barros nasceu no Beco da Marinha, em Cuiabá, Estado de Mato Grosso, e morreu em 2014 em Campo Grande, aos 97 anos de idade (Foto: Saul Schramm)

No centenário do nascimento do poeta Manoel de Barros, o Senado promoveu ontem (13) sessão especial em homenagem ao poeta das coisas simples. Autoridades se revezaram ao microfone para destacar a importância de um dos maiores poetas da língua portuguesa, falecido em 2014. Ao elevar as memórias do poeta com essa homenagem, o Senado reconhece a importância de um artista pantaneiro que só foi alçado ao seu lugar devido nas últimas décadas de vida. Enquanto isso, o mercado editorial continua ignorando os diversos brasis e a educação pública está cada vez menos capacitada a fim de pavimentar pistas de voo para novos poetas.

Responsável pelo requerimento da sessão, o senador Pedro Chaves (PSC) era amigo de Manoel e nutria por ele a admiração dos que reconhecem um grande artista. “Na década de 60 tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente em Campo Grande. Aos poucos selamos uma amizade sincera e profícua. Sua matéria era a palavra. Ele me disse uma vez: conheça o mundo, leia os grandes poetas, os grandes escritores, nunca passe correndo por uma obra de arte. Você só pode ser grande se conhecer os grandes. Ele era talento e simplicidade. Coisa incomum de se ver hoje em dia”, afirmou Chaves.

O professor de literatura contemporânea na UnB (Universidade de Brasília) e especialista na obra do poeta, Augusto Rodrigues, viveu em Campo Grande por alguns anos e tem um livro publicado em 2010 feito sob grande inspiração da poética de Barros. Na opinião do professor, Manoel de Barros foi um grande pioneiro na divulgação da poesia fora do Sudeste.

“O grande legado de Manoel de Barros foi forçar a interiorização da poesia. Ao contrário da maioria dos poetas, ele teve reconhecimento que começou na década de 90. Ele acabou se tornando referência de uma poesia feita fora do Sudeste. Ainda hoje poucos conhecem a literatura do Centro-Oeste. É preciso interiorizar a literatura, deixarmos de reverenciar o Sudeste”, afirmou Rodrigues. Ainda na opinião do especialista, a poesia de Manoel tem uma sensibilidade arrebatadora. “Manoel de Barros era um grande ‘versista’, em seus poemas somos arrebatados por um verso que transfigura a epifania poética. Um verso que nos arrebata e nos faz parar para pensar”, diz Rodrigues.

Para o vice-presidente da Fundação Manoel de Barros, Marcos Henrique Marques, o legado do poeta continua a dar resultados. “A fundação criada em 1998, na época pelo professor Pedro Chaves, tem a finalidade de promover arte e cultura, pesquisa e ensino. O concurso de redação, por exemplo, mobilizou mais de 10 mil alunos do ensino médio. Ele foi finito como todos nós, mas sua obra, pautada na criatividade e na ousadia da palavra, vai permanecer para sempre”, declarou Marques.