Teatro Aracy Balabanian está fechado para readequações e segue sem prazo para ser reaberto (Foto: Divulgação/Nautilus)

Teatro Aracy Balabanian está fechado para readequações e segue sem prazo para ser reaberto (Foto: Divulgação/Nautilus)

Hoje (27) é celebrado o Dia Mundial do Teatro. A data foi estabelecida pelo Instituto Internacional de Teatro, ligado à Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura), e marca a inauguração do Teatro das Nações, em Paris (FRA). Entretanto, para os grupos teatrais de Campo Grande, não há motivos para comemorações. Questões como a falta de espaços para produções artistas e do não cumprimento de políticas públicas na área da cultura são os principais problemas que afligem atores e diretores da cidade.

Segundo a produtora cultural e atriz do TGR (Teatral Grupo de Risco), Fernanda Kunzler, nos últimos anos a classe artista da Capital se acostumou a viver com os descasos do poder público com a cultura. Apesar de cumprirem as regras necessárias dos editais, a incapacidade dos órgãos responsáveis de gerirem a distribuição dos recursos acabaram afetando em um todo a classe. “Todo o cenário atual é de crise e todo essa situação atinge principalmente à cultura. Ela é a primeira a ter os gastos cortados. Mas isso é, na verdade, uma demonstração de falta de preparo para atuar na gestão pública”, disse Fernanda.

A produtora cultural diz também que as realizações de espetáculos e mostras artísticas não param na cidade mesmo diante da situação. Mas outro problema que surgiu no último ano está relacionado ao Teatro Aracy Balabanian. Localizado na região central da cidade, o palco é considerado um dos locais mais importantes de Campo Grande, mas que, mesmo com mais de 30 anos de existência, nunca passou por uma grande reforma. Por causa disso, em abril do ano passado, a Fundação de Cultura o fechou para que as devidas readequações do espaço sejam realizadas. No entanto, de acordo com os artistas, ainda não foram iniciadas as obras e está sem prazo para começar.

Para o diretor do grupo Mercado Cênico presidente do Fórum Municipal de Cultura, Vitor Samudio, com o Teatro Aracy Balabanian fechado para reforma acaba tornando mais grave a situação da cultura. Conforme o diretor, os restantes dos locais disponíveis na cidade, como o Teatro Prosa, Glauce Rocha, do colégio da Mace e do Dom Bosco e Palácio Popular, por exemplo, são ambientes que demandam mais recursos e produção dos artistas da Capital, o que acaba sendo inviável. Outra problemática é a existência da agenda própria. Como muitos desses locais são particulares, formaturas, eventos e outras ações já cobrem o calendário dos locais. O teatro passa por um período muito difícil”, conclui Vitor Samudio.

Grupos teatrais reescrevem a própria história

Mesmo diante do cenário atual, os grupos teatrais e coletivos culturais estão reescrevendo a própria história. Apesar de estarem sem espaços físicos para apresentações, as companhias começam a olhar com mais atenção para locais considerados alternativos, como os calçadões das principais ruas da cidade e praças.

Segundo Vitor Samudio, os artistas que direcionam as apresentações para os palcos dos teatros estão adaptando o roteiro para que mesmo assim continuam exibindo os espetáculos. “Os artistas são trabalhadores como outro qualquer. Para circular com esses trabalhos, estamos buscando espaços não convencionais para circular os nossos trabalhos”, disse.

Outro exemplo desses espaços não convencionais que acabam sendo alternativas para as companhias é exemplo é teatro do Teatral Grupo de Risco, da qual a Fernanda Kunzler é integrante. O grupo tem um espaço considerado atualmente viável. Com a capacidade média de 80 pessoas, diversos conjuntos estão se apresentando no local mas com os preços populares e, que ao final, acabam sendo direcionadas à produção e para a reforma de adequação da estrutura. “As pessoas estão se virando do jeito que dá”, conclui”.

Para não passar em branco o dia, os artistas se reúnem às 16h em frente do Paço Municipal reivindicando melhorias nas políticas direcionadas à cultura.