‘Lagoa’ formada no meio de rua sem asfalto obriga moradores a desviarem por dentro de mato alto na ‘calçada’ (Foto: Valentin Manieri)

‘Lagoa’ formada no meio de rua sem asfalto obriga moradores a desviarem por dentro de mato alto na ‘calçada’ (Foto: Valentin Manieri)

Com aspecto de cidade pequena esquecida, região do Núcleo Industrial de Campo Grande –no oeste da cidade– está carente de infraestrutura e atenção de governantes. São poucas as ruas asfaltadas, todas as vias estão muito esburacadas, há vários terrenos com mato alto, iluminação é precária, e não há áreas públicas de lazer, além de várias obras inacabadas. Com todos esses problemas, os moradores clamam pela atenção do poder público para a região.

Quem mora na região explica que o Núcleo Industrial é uma região composta dos bairros Sarandi, Jardim Inápolis, Tuiuiu e Indubrasil e há tempos está esquecido. O comerciante Osnei Marques, 43, informou que o ônibus que passava na rua Principal Um, teve que mudar a rota em virtude dos buracos na avenida.

“Esses dias mesmo veio um fiscal ou agente da Viação Cidade Morena avisar que o ônibus não vai mais passar aqui na avenida enquanto ela estiver assim e que a partir de hoje [sexta-feira], ele só vai passar na rodovia. Só vai voltar a passar na avenida quando arrumarem a buraqueira”, informou.

Osnei mora no Núcleo Industrial há 35 anos e possui um comércio na rua Principal Um há 17 anos. Ele informou que o bairro tem apenas um Ceinf (Centro de Educação Infantil) e que o outro está com a obra inacabada há anos. Há apenas uma UBSF (Unidade Básica de Saúde da Família) em toda a região e apenas uma escola estadual. Osnei é um dos muitos moradores que reclamam do fato de o bairro estar esquecido e precisando do apoio da prefeitura.

O Ceinf inacabado é uma questão que aflige muitos moradores do bairro. Márcia Roque, 33, trabalha comserviços gerais em uma indústria e anda alguns quilômetros diariamente para levar e buscar a filha na única unidade da região. “É complicado para mim que moro aqui há 13 anos e tenho que andar esses quilômetros na lama para buscar minha filha no Ceinf. Quando chove tudo fica pior, às vezes tenho que andar na poça de lama porque não tem o que fazer. Além de não ter asfalto, essas ruas de terra são todas esburacadas e dependendo da chuva forma um laguinho. Aí não tem como passar, tem que entrar, ou tem que se enfiar no meio do mato para conseguir atravessar” lamenta.

Para a moradora, não existe região mais precária do que Núcleo Industrial

Ela informou que a construção do novo Ceinf iniciou há aproximadamente dois anos e após seis meses do início, a obra foi abandonada e está parada até hoje.

Para a moradora Celina de Oliveira, 47, não existe na cidade uma região tão carente e precária quanto a região do Núcleo Industrial. “Aqui não tem iluminação, os postes estão todos quebrados, não tem limpeza, o mato é alto, não tem asfalto, tem muito buraco, não tem área de lazer, só tem um Ceinf. Não tem opção de lazer para as crianças, não tem caixa eletrônico, nem lotérica para pagar as contas”, reclama. Após questionada sobre onde ela paga as contas e tem acesso à conta, Celina disse que precisa ir até a região da avenida Júlio de Castilho resolver os problemas.

Ela disse ainda que a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) mais próxima é a do bairro Santa Mônica e se sente abandonada pelo poder público.

“O descaso com a gente é muito grande e chega a ser uma falta de respeito. Eles ignoram que tem gente, tem muitas famílias morando aqui. Essa região não pode ser esquecida assim. Nem a polícia olha por nós. Eu nunca vejo carro de polícia nem policial por aqui, é muito raro. Uma vez seguiram minha irmã até aqui perto de casa, os caras que estavam seguindo ela estavam todos armados. Ela ligou para a polícia e a polícia não veio” desabafou Celina.