A crise econômica que o país passa já não é mais novidade para o consumidor. Em dois anos, o campo-grandense reduziu consideravelmente os gastos na hora da compra no centro da cidade, gastando em média R$ 37. Em 2015 o valor do tíquete médio indicava R$ 95, segundo levantamento do Conselho Comunitário de Segurança do Centro, uma queda brusca de 61%.

A pesquisa revela que vários comerciantes estão fechando as portas ou migrando para outras regiões. As principais reclamações são de fiscalização rigorosa, aluguéis caros em elevada realidade do mercado, alta carga tributária cobrado pelo Estado, 49% de empresas abandonaram a área central.

Contudo, de loja em loja, as vitrines estampam faixas de promoções para se manter. E com o orçamento planejado, o cliente busca gastar pouco apenas com o necessário. Caso de Renata Zavala, 30, que saiu da loja com apenas uma sacola de roupas. “Eu só gastei com o essencial mesmo, e só gastei porque realmente precisava. Economizei até no Natal e no Ano Novo. Dói no bolso ficar gastando com bobagens”, explica.

O cenário mostra o fim de um ciclo de expansão do consumo, porém, índices de endividamento e inadimplência consistem estáveis em 5 milhões de pessoas no Centro-Oeste, conforme dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas).

Alessandra da Silva, 44, ressalta, que atualmente busca comprar coisas mais caras à vista e jamais no cartão de crédito. “Parcelar do cartão? Nunca. A crise afeta todo o comércio, é impossível ver hoje gente esbanjando dinheiro, tem de ser prudente. Quando eu venho para o centro busco comprar coisas apenas na promoção”, relata.

Ainda conforme o conselho, desde 2015, cerca de 790 empresas foram atingidas pela crise e fecharam as portas. “Nós fomos de rua por rua para fazer esse levantamento, percebemos ainda um fechamento absurdo das lojas. A queda do tíquete médio foi gradativa, e essa média baixa vai determinar qual é o tipo de consumidor que está frequentando o centro e o tipo de comércio que tenho de colocar no centro para gerar lucro. Cada vez mais se abre lojas de ‘bugigangas’ em que o preço é mais em conta, por exemplo, o consumidor chega com R$ 20 e compra algo que, muitas das vezes não precisava. O empresário, por vezes, precisa elevar o preço do produto para conseguir se manter, e as vezes acaba não compensando para o cliente gastar mais do que o planejado”, finaliza o presidente do Conselho.