Fiel escudeiro de Cunha, Marun agora quer aprovar reforma a todo custo (Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados)

Fiel escudeiro de Cunha, Marun agora quer aprovar reforma a todo custo (Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados)

O deputado Carlos Marun (PMDB), presidente da comissão que debate a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, vive um inferno astral. Diante da impopularidade da proposta do governo federal –que estabelece idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres, e obriga o trabalhador a contribuir por 49 anos para ter acesso a 100% do benefício–, ele tem se posicionado com veemência como escudeiro do presidente Michel Temer (PMDB) na missão de aprovar o texto, custe o que custar.

A “valentia” de Marun, no entanto, pode lhe custar mais caro que o apoio incondicional que deu ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB –preso desde outubro passado. Além da insatisfação popular, o deputado peemedebista começou a sentir, agora, o peso da defecção de colegas políticos que, observando o clamor das ruas, começam a perceber que a reforma da Previdência não é boa propaganda para político algum.

Ontem, Marun foi alvo de uma moção de repúdio da Câmara Municipal de Campo Grande. Por indicação do vereador Valdir Gomes (PP), a Casa aprovou a proposta por 12 votos a 9, com uma abstenção.

Votaram em favor da moção, além do próprio proponente, os vereadores Cazuza (PP) e Dharleng Campos (PP), Betinho (PRB), Veterinário Francisco (PSB), Enfermeiro Fritz (PSD), Lucas de Lima (SD), Papy (SD), Ayrton Araújo (PT), Enfermeira Cida (PTN), Wilian Maksoud (PMN) e Eduardo Romero (REDE). Foram contrários Otávio Trad (PTB), Dr. Livio Leite (PSDB), Júnior Longo (PSDB), Delegado Wellington (PSDB), João César Mattogrosso (PSDB), Odilon Júnior (PDT), Gilmar da Cruz (PRB), Chiquinho Telles (PTdoB) e Pastor Jeremias Flores (PTdoB). O vereador Vinicius Siqueira (DEM) se absteve. Ele criticou Marun, mas afirmou que o deputado tem liberdade  para exercer seus posicionamentos parlamentares e suas convicções.

Marun classificou a moção como uma ação “eleitoreira”, e foi além. “Lamentável esta postura dos vereadores. Estamos fazendo um trabalho sério”, assegurou. O deputado disse ainda que, quando receber a moção, a devolverá à Câmara de Vereadores e questionará o seu motivo.

Marun começa a dar mostras do desgaste. Nesta semana, durante manifestações contra a reforma, algumas centenas de professores da rede estadual de ensino acamparam em frente do condomínio onde mora o deputado. A pressão fez com que Marun desmarcasse uma palestra que daria hoje em Campo Grande e adiasse sua volta à capital do Estado.

Segundo o parlamentar, a mudança de planos seria para evitar maior constrangimento aos familiares e vizinhos.

“Eu não tomo nenhuma decisão por medo. Se algun político trabalha assim, que assuma sua posição. Estes protestos só servem para revigorar minhas convicções sobre a reforma da Previdência”, argumentou.