Obra da Unidade Básica de Saúde da Família no bairro Santa Emília está parada e prejudica quase 10 mil moradores que cobram retomanda da construção (Foto: Saul Schramm)

Obra da Unidade Básica de Saúde da Família no bairro Santa Emília está parada e prejudica quase 10 mil moradores que cobram retomanda da construção (Foto: Saul Schramm)

Iniciado em 2015, o posto de saúde do bairro Santa Emília, região sudoeste de Campo Grande, está com a obra parada e tem preocupado e causado transtorno aos quase 10 mil moradores da região. A construção que deveria ser entregue em cerca de nove meses está abandonada, o terreno está sujo e também há acumulo de água parada no local.

Segundo o presidente do bairro, Júlio Gonçalves, os bairros vizinhos, como São Conrado, Oliveira e Buriti, já contam com uma unidade de saúde, para onde os moradores do Santa Emília precisam ficar se deslocando. “Nós temos de ir até o posto do Buriti para buscar atendimento porque a área do

São Conrado não atende pelo fato de eles já terem muitos moradores sendo atendidos”, contou.

A situação fica ainda mais grave quando a maioria dos moradores utiliza o transporte público para se locomover, inclusive para as unidades de saúde. Maria das Graças Lima, 62, conta as dificuldades que enfrenta para chegar ao posto de saúde do bairro vizinho. “Eu ando de ônibus, então fica ainda mais difícil, às vezes com dor preciso andar até o ponto e esperar um tempão até chegar lá e ainda está sempre lotado”, relatou a aposentada.

Há 44 anos os moradores da região passam por diversas dificuldades para buscar atendimento médico, e a falta de iluminação, de transporte e até de asfalto agravam o dia a dia de quem mora na área. A equipe de reportagem foi até o bairro para saber quais a necessidades de quem mora no Santa Emília e a resposta é unânime: posto de saúde.

“É um sonho nosso, olha a idade do nosso bairro, imagina os idosos, o quanto eles sofrem para buscar atendimento, imagina de madrugada ou quem tem de ficar na fila para marcar exames, nós não temos nada, nenhuma estrutura, está abandonado e esquecido pelo poder público”, lamentou o presidente do bairro.

Maria conta ainda que há alguns meses está tentando marcar exames de rotina e não consegue, tanto pela lotação dos postos nos bairros vizinhos quanto pela dificuldade que enfrenta para chegar a essas unidades. “Eu fui até o posto do Buriti e fiz alguns exames, mas preciso terminar e ainda não consegui, ainda às vezes até tem o posto, mas não tem gente pra te atender, temos de esperar uma eternidade”, disse a moradora.

Outra reclamação dos moradores é a falta de posto policial, iluminação pública e vários terrenos baldios sem fiscalização. Conforme relatos de quem vive no bairro, há muitos roubos e pessoas utilizando essas áreas e a falta de iluminação para consumir entorpecentes na rua, o que gera insegurança nos moradores.

A equipe de reportagem entrou em contato a Prefeitura de Campo Grande, mas até o fechamento desta edição nenhuma resposta havia sido encaminhada.